Domingo, 28.08.11
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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A história da Rede Globo

(Reino Unido, 1992, 105 min – Direção Simon Hartog)

Documentário mostra o lado obscuro da Rede Globo destacando algumas artimanhas que colocaram a emissora como uma das mais poderosas do planeta.
O documentário mostra as relações estreitas que a Globo levava com a ditadura militar, mostra também as práticas de manipulação jornalística na cobertura de fatos, como por exemplo, a 1º manifestação das “Diretas Já” em que o “Jornal Nacional” mostrava a aglomeração na Praça da Sé como sendo uma comemoração do aniversário de São Paulo, e não como um movimento pelo fim da ditadura.


Mostra também o envolvimento da Rede Globo na tentativa de fraude nas eleições de 1982 para impedir a vitória de Brizola no Rio de Janeiro e como a rede também manipulou a edição do debate das eleições de 1989, favorecendo ao candidato Collor e evitando o resultado que apontava Lula como vencedor. Mostra também como a Globo destruiu a que seria sua grande concorrente, a TV Jovem Pan, acabando com a sua parceira, a NEC.
Há depoimentos de várias personalidades, como Chico Burque, Leonel Brizola e Lula, entre outros.

A Rede Globo tentou impedir a veiculação do documentário no Reino Unido, mas não conseguiu, depois disso tentou comprar seus direitos autorais, mas também não teve sucesso. O governador de São Paulo, Fleury, demitiu o diretor do Museu da Imagem e do Som, que ousou apresentar o documentário em numa sessão.

Finalmente, conseguiu que o documentário fosse proibido no país. Mas a Internet veio a frustrar essa proibição. Hoje, mais de 700.000 downloads já aconteceram só no Youtube e no Google Video, sem falar nos outros meios, como Torrent, etc.
(Sinopse original do docverdade)

Torrent (baixa qualidade de imagem) - Youtube

Veja também: Vídeo clássico - Direito de resposta de Leonel Brizola contra a Globo: Youtube

Leia também em pdf o livro "A história secreta da Rede Globo"

Fonte: http://docverdade.blogspot.com



publicado por oeiras_brasil às 20:48 | link do post | comentar

Quarta-feira, 24.08.11
. . .começa com uma história de amor, antes que qualquer árvore seja plantada ou um lago construído é preciso que eles tenham nascido dentro da alma.
Quem não planta jardim por dentro, não planta jardins por fora e nem passeia por eles.
Rubem Alves


publicado por oeiras_brasil às 17:45 | link do post | comentar

Terça-feira, 23.08.11

No mundo pós-ideia, recebemos trilhões de dados, muitas vezes insignificantes, sem parar para pensar

Neal Gabler, do The New York Times - O Estado de S.Paulo
 
O número de julho/agosto de The Atlantic alardeia as "14 Maiores Ideias do Ano". Prenda o fôlego. As ideias incluem "Os jogadores são os donos do jogo" (n.º 12), "Wall Street: a mesma de sempre" (n.º 6), "Nada permanece secreto!" (n.º 2), e a maior de todas do ano, "A ascensão da classe média - só que não a nossa", que se refere às economias em crescimento de Brasil, Rússia, Índia e China.

Pode soltar o ar. O leitor deve achar que nenhuma dessas ideias parece particularmente de tirar o fôlego. Nenhuma delas, aliás, é uma ideia.
Elas são mais observações. Mas não se deve culpar The Atlantic por confundir lugares comuns com visão intelectual. As ideias simplesmente não são o que costumavam ser. Em um passado distante, elas podiam acender debates, estimular outros pensamentos, incitar revoluções e mudar fundamentalmente as maneiras como observamos e pensamos o mundo.

Elas podiam penetrar na cultura geral e transformar pensadores em celebridades - notadamente Albert Einstein, mas também Reinhold Niebuhr, Daniel Bell, Betty Friedan, Carl Sagan e Stephen Jay Gould, para citar alguns. As próprias ideias podiam se tornar famosas: por exemplo, "o fim da ideologia", "o meio é a mensagem", "a mística feminina", "a teoria do Big Bang", "o fim da história". A grande ideia podia ganhar a capa da revista Time - "Deus está morto?" - e intelectuais como Norman Mailer, William F. Buckley Jr. e Gore Vidal seriam eventualmente convidados para as poltronas dos talk shows de fim de noite. Isso foi há uma eternidade.

Se nossas ideias parecem menores hoje, não é porque somos mais burros do que nossos antepassados, mas simplesmente porque não ligamos tanto para as ideias quanto eles ligavam. Aliás, estamos vivendo cada vez mais em um mundo pós-ideia - um mundo em que as ideias grandes, as que fazem pensar, que não podem ser instantaneamente monetizadas, têm tão pouco valor intrínseco que menos pessoas as estão gerando e menos canais as estão disseminando, a despeito da internet. As ideias ousadas estão praticamente fora de moda.

Argumento lógico. Não é segredo, especialmente nos Estados Unidos, que vivemos numa era pós-Iluminismo na qual racionalidade, ciência, argumento lógico e debate perderam a batalha em muitos setores e, talvez, até na sociedade em geral, para superstição, fé, opinião e ortodoxia. Embora continuemos fazendo avanços tecnológicos gigantescos, podemos estar na primeira geração que girou para trás o relógio da história - que retrocedeu intelectualmente de modos avançados de pensar para os velhos modos das crenças. Mas pós-Iluminismo e pós-ideia, embora relacionados, não são exatamente a mesma coisa.
Pós-Iluminismo refere-se a um estilo de pensar que já não mobiliza as técnicas do pensamento racional. Pós-ideia refere-se ao pensar que não é mais feito, independentemente do estilo.

O mundo pós-ideia vem se aproximando faz tempo, e muitos fatores contribuíram para isso. Vemos o recuo nas universidades do mundo real, e um encorajamento, e premiação, da especialização mais estreita em lugar da ousadia - de cuidar de plantas envasadas em vez de plantar florestas.

Vemos o eclipse do intelectual público na mídia em geral pelo sabichão que substitui extravagâncias por ponderação, e o concomitante declínio do ensaio em revistas de interesse geral. E temos a ascensão de uma cultura cada vez mais visual, especialmente entre os jovens - uma forma menos favorável à expressão de ideias.
Mas esses fatores, que começaram há décadas, foram mais provavelmente arautos do advento de um mundo pós-ideia que suas causas principais.
Vivemos na muito alardeada Era da Informação. Por cortesia da internet, temos a impressão de ter acesso imediato a tudo que alguém poderia querer saber. Certamente somos mais bem informados em história, ao menos quantitativamente. Há trilhões e trilhões de bytes circulando no éter - tudo para ser colhido e ser objeto de pensamento.

E é precisamente essa a questão. No passado, nós colhíamos informações não só para saber coisas. Isso era apenas o começo. Nós também colhíamos informações para convertê-las em alguma coisa maior que fatos e, em última análise, mais útil - em ideias que explicavam as informações. Buscávamos não só apreender o mundo, mas realmente compreendê-lo, que é a função primordial das ideias. Grandes ideias explicam o mundo e nos explicam uns aos outros.

Karl Marx chamou a atenção para a relação entre os meios de produção e nossos sistemas sociais e políticos. Sigmund Freud nos ensinou a explorar nossas mentes como meio para compreender nossas emoções e comportamentos. Einstein reescreveu a física. Mais recentemente, Marshall McLuhan teorizou sobre a natureza da comunicação moderna e seu efeito na vida moderna. Essas ideias permitiram que nos desprendêssemos de nossa existência e tentássemos responder as grandes e atemorizantes questões de nossas vidas.

Mas se a informação foi um dia um alimento de ideias, na última década ela se tornou sua concorrente. Estamos como o agricultor que possui trigo demais para fabricar farinha. Somos inundados por tanta informação que não teríamos tempo para processá-la mesmo que o quiséssemos, e a maioria de nós não quer.
A coleta em si é cansativa: o que cada um de nossos amigos está fazendo neste particular momento, e no momento seguinte, e no seguinte; com quem Jennifer Aniston está saindo agora; qual video se tornará viral no YouTube neste momento; o que a princesa Letizia ou Kate Middleton estão usando hoje. Aliás, estamos vivendo dentro da nuvem de uma Lei de Gresham informática onde informações triviais expulsam informações significativas, mas trata-se também uma lei de Gresham nocional em que as informações, triviais ou não, expulsam ideias.
Preferimos conhecer a pensar porque o conhecer tem mais valor imediato.
Ele nos mantém "por dentro", nos mantém conectados com nossos amigos e nossa tribo. As ideias são tão etéreas, tão pouco práticas, trabalho demais para recompensa de menos. Poucos falam ideias. Todos falam informação, geralmente informação pessoal. Onde é que você vai? O que está fazendo? Quem você anda vendo? Estas são as grandes questões de hoje.

Não é por acaso, com certeza, que o mundo pós-ideia brotou com o mundo das redes de relacionamento social. Apesar de haver sites e blogs dedicados a ideias, Twitter, Facebook, Myspace, etc ., os sites mais populares na web, são basicamente bolsas de informações destinadas a alimentar a fome insaciável de informação, embora essa dificilmente seja do tipo de informação que gera ideias. Ela é, em grande parte, inútil exceto na medida em que faz o possuidor da informação se sentir, bem... informado. Evidentemente, pode-se argumentar que esses sites não são diferentes do que a conversa era para gerações anteriores, e a conversa raramente criava grandes ideias, e se estaria certo.

Mas a analogia não é perfeita. Em primeiro lugar, os sites de relacionamento social são a principal forma de comunicação entre jovens, e estão suplantando os meios impressos, que é onde as ideias eram tipicamente gestadas. Depois, os sites de relacionamento social criam hábitos mentais que são inimigos do tipo de discurso deliberado que dá origem a ideias. Em lugar de teorias, hipóteses e argumentos importantes, obtemos tuítes instantâneos de 140 caracteres sobre comer um sanduíche ou assistir um programa de TV.
Universo intelectual. Embora as redes sociais possam alargar o círculo pessoal de alguém e até apresentá-lo a estranhos, isso não é mesma coisa que alargar o universo intelectual pessoal. Aliás, a tagarelice das redes sociais tende a encolher o universo da pessoa a ela mesma e seus amigos, enquanto pensamentos organizados em palavras, seja online seja na página impressa, alargam o foco pessoal.

Parafraseando o ditado famoso, geralmente atribuído ao jogador de beisebol americano "Yogi" Berra, de que não dá para pensar e rebater ao mesmo tempo, também não se pode pensar e tuitar ao mesmo tempo, não por ser impossível fazer tarefas múltiplas, mas porque tuitar - que é, em grande parte, um jorro, ou de opiniões breves sem sustentação, ou de descrições breves das próprias atividades prosaicas - é uma forma de distração e anti-pensamento.
As implicações para uma sociedade que não pensa grande são enormes. As ideias não são meros brinquedos intelectuais. Elas têm consequências práticas.
Um artista amigo lamentou recentemente que sentia o mundo da arte à deriva, pois não havia mais grandes críticos como Harold Rosenberg e Clement Greenberg para oferecer teorias da arte que poderiam fazer a arte frutificar e se revigorar. Outro amigo desenvolveu um argumento parecido sobre política. Embora os partidos debatam sobre quanto cortar no orçamento, ele gostaria de saber onde estão os John Rawises e Robert Nozicks que poderiam elevar o nível de nossa política.

Abundância de dados. O mesmo seguramente poderia ser dito da economia, onde John Maynard Keynes continua sendo o centro do debate quase 80 anos depois de propor sua teoria de injeção de estímulos pelo governo. Isso não significa que os sucessores de Rosenberg, Rawls e Keynes não existam, apenas que, se existirem, eles provavelmente não ganharão tração numa cultura que tem tão pouco uso para ideias, especialmente as grandes, excitantes e perigosas, e isso é verdade quer as ideias venham de acadêmicos ou de outros que não fazem parte de organizações de elite e desafiam a sabedoria convencional. Todos os pensadores são vítimas da abundância de informação, e as ideias dos pensadores de hoje também são vítimas dessa abundância.

Mas é especialmente verdade para grandes pensadores nas ciências sociais como o psicólogo cognitivo Steven Pinker, que teorizou sobre tudo - da origem da linguagem ao papel da genética na natureza humana -, ou o biólogo Richard Dawkins, que teve ideias grandes e controvertidas sobre tudo - do egoísmo a Deus -, ou o psicólogo Jonathan Haidt, que analisou sistemas morais diferentes e extraiu conclusões fascinantes sobre a relação - de moralidade a crenças políticas.

Mas como eles são cientistas e empíricos e não generalistas nas humanidades, o lugar a partir do qual as ideias eram costumeiramente popularizadas, eles sofrem um duplo golpe: não só o golpe contra as ideias em geral, mas o golpe contra a ciência, que é tipicamente considerada na mídia, na melhor hipótese, como mistificadora, na pior, como incompreensível. Uma geração atrás, esses homens teriam chegado a revistas populares e às telas da televisão. Agora, eles são expelidos pelo eflúvio informacional.

Alguém certamente dirá que as grandes ideias migraram para o mercado, mas há uma enorme diferença entre invenções com fins lucrativos e pensamentos intelectualmente desafiadores. Empresários têm muitas ideias, e alguns, como Steve Jobs, da Apple, trouxeram algumas ideias brilhantes no sentido "inovador" da palavra.

Mas, embora essas ideias possam mudar a maneira como vivemos, elas raramente transformam a maneira como pensamos. Elas são materiais, não nocionais. São os pensadores que estão em falta, e a situação provavelmente não vai mudar tão cedo.

Nós nos tornamos narcisistas da informação, tão desinteressados por qualquer coisa fora de nós e de nossos círculos de amizade ou por qualquer petisco que não possamos partilhar com esses amigos que se um Marx ou um Nietzsche surgisse subitamente trombeteando suas ideias, ninguém lhe daria a menor atenção, certamente não a mídia em geral, que aprendeu a servir ao nosso narcisismo.
O que o futuro pressagia é cada vez mais informação - Everests dela. Não haverá nada que não conheçamos. Mas não haverá ninguém pensando nisso. Pense nisso.

/ TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK
É BOLSISTA SÊNIOR NO ANNENBERG NORMAN LEAR CENTER DA UNIVERSIDADE DO SUL DA CALIFÓRNIA E AUTOR DE "WALT DISNEY: THE TRIUMPH OF THE AMERICAN IMAGINATION"


publicado por oeiras_brasil às 00:20 | link do post | comentar

Segunda-feira, 22.08.11

As palavras fazem sentido. Essa é uma das mais antigas batalhas deste escriba. Têm aquele sentido estanque, do dicionário, elucidado por sinônimos ou perífrases. E têm o sentido que lhes conferem as circunstâncias, o contexto. Luiz Inácio Apedeuta da Silva, a face mais visível da doença que toma conta da política brasileira, esteve ontem em Minas. E, mais uma vez, nos deu a oportunidade de ler as palavras pelo sentido que elas têm e interpretá-las pelos silêncios que enunciam. Voltou a negar que possa ser o candidato em 2014. E se pergunta então: “Por que um ex-presidente da República, que já havia anunciado que não seria candidato, nega que pretenda se candidatar se não for  com o objetivo de que sua candidatura seja debatida como realidade plausível?” Vale dizer: as palavras de Lula devem ser lidas pelo avesso. Ele afirma o que nega; nega o que afirma.
Foi adiante: “Dilma só não será candidata se não quiser”. A oração subordinada adverbial condicional — “se não quiser” — traz uma hipótese com a qual ninguém contava até outro dia, muito menos os petistas, especialmente quando a mandatária não concluiu ainda o seu oitavo mês de governo. Então está dado que existe a possibilidade de Dilma não querer. É Lula quem sustenta isso. Em política, “querer” ou “não querer” depende mais da vontade de terceiros do que da própria. O Babalorixá, ele próprio, faz de tudo, já está claro a esta altura, para que ela não queira. Ou não se moveria no tabuleiro da política com tanta saliência.
Não estamos diante daquela situação em que a criatura se volta contra o criador, como o monstrengo criado por Doutor Victor Frankenstein. De certo modo, é o contrário: Lula padece de uma inveja patológica da sua criatura. Considera-se o dono de Dilma de Rousseff. E está profundamente insatisfeito com os rumos que as coisas estão tomando. A imagem da faxina, ainda que uma expressão usada pela imprensa, colou. Só se limpa o que está sujo. E a sujeira foi, sim, a herança maldita que caiu no colo da sucessora. É evidente que ela era da turma. E figura de proa. Tanto é que foi escolhida para conduzir o navio — ou, ao menos, para representar esse papel. Mas a dinâmica da política não depende, reitero, só de vontades. A sujeira começou a aparecer. E os “descontentes” só não estão na rua porque os nossos esquerdopatas transformaram sindicatos, ONGs, movimentos sociais e entidades de classe em sucursais do partido. O PT está hoje mais presente na sociedade do que o Baath no auge do poder de Saddam Hussein. Os tolos dirão: “Mas foi pela via democrática”. O aparelhamento é sempre uma afronta à democracia, jamais a sua expressão.
É inaceitável que um ex-presidente da República se coloque, de peito aberto, como uma espécie de articulador informal do governo, seu intérprete mais avalizado, seu condestável. E é o que Lula está fazendo, tentando empurrar Dilma para fora do tabuleiro, embora reafirme, claro, seu apoio à sucessora.
Ele é popular? E daí?
Eu estou pouco me lixando se o Apedeuta é ou não popular. Aliás, falar mal de impopulares é coisa que qualquer covarde pode fazer. Lula é, sim, o nome da “doença” da política brasileira — e vamos, então, ampliar a briga, porque aí o barulho fica bom —,  assim como Getúlio Vargas já foi um dia e, em muitos aspectos, ainda é. As pessoas têm os seus valores, e eu também. Não nutro a menor simpatia por um líder fascistóide, que prendeu, torturou e matou nas masmorras. “Ah, mas ele fundou o Brasil moderno!” Que Brasil moderno? O Getúlio do Estado Novo compôs com todas as forças reacionárias com a qual a dita Revolução de 30 prometia acabar — de fato, em certo sentido, Lula mimetiza Getúlio… Não leio a sua carta de suicídio sem atentar para o seu lado patético, sua literatice chula, seus contrastes vigaristas entre os “bons” e os “maus”, sua irresponsabilidade fundamental. Não se deve especular, por pudor, sobre a razão dos suicidas — desde que o sujeito não decida “sair da vida para entrar na história”. Arghhh… Politicamente, e é de política que falo, teria sido bem mais corajoso enfrentar seus acusadores. Era grande a chance de que terminasse deposto e na cadeia.
Essas almas “intensas”, “amorosas”, ” passionais”, “carismáticas” deseducam o povo e conduzem os países, com freqüência, ao desastre. Muito bem: Getúlio era fruto de um tempo que produziu varias formas do fascismo mundo afora — e aqui também, portanto. Mas os outros países exorcizaram seus fascistas. Nós amamos os nossos. Ou melhor: “eles” (porque não sou da turma) amam os deles. É claro que a “moral revolucionária” das esquerdas, muito especialmente dos comunistas, colaborou para isso. Luiz Carlos Prestes saiu da cadeia, onde tinha sido barbaramente torturado pela polícia de Getúlio — sua mulher, Olga, tinha sido deportada grávida para a Alemanha, onde foi morta — para subir no palanque do ditador contra “as forças do imperialismo”. Olga estava longe de ser a heroína pintada pelo chavista (e agora biógrafo de Lula) Fernando Morais. Mas isso não livra a cara de Getúlio.
Eu não opero com uma balança em que a canalhice é posta num prato, e as conquistas, noutro, em busca de um equilíbrio. Findo o estado novo, o lugar de Getúlio era a cadeia, não tentando voltar ao poder, aí pela via democrática, com o apoio dos comunas, que odiavam a democracia… Que circo nojento!  Por que falo de Getúlio? Porque estepaiz ainda vive à mercê desses redentores — e Lula ocupou esse papel, à custa de uma máquina de mentiras e de manipulação da informação de fazer inveja ao DIP getulista. Não! Não tenho absolutamente nada de pessoal contra o Babalorixá. Até me policio um pouquinho para não me deixar tocar minimamente por  sua inegável simpatia pessoal — quando não está sobre um palanque, possuído pelo ogro eleitoral. É a sua figura política que é nefasta, que deseduca, que desinforma, que dá sobrevida ao que há de mais atrasado na política .
O mito Lula precisa morrer — não o Lula! Que tenha tataranetos, mas sem passaporte diplomático! — se um Brasil minimamente afinado com a contemporaneidade quer nascer. O homem está mobilizando o seu partido e outros da base aliada contra um movimento — ainda incipiente, que é mais da sociedade do que de Dilma, é óbvio — contra a corrupção! Esse Shrek do Mal está tentando nos convencer de que  a sem-vergonhice é um preço que o Brasil precisa pagar para avançar. E não é! Uma coisa é admitir que o malfeito existe, é parte da política e precisa ser extirpado. Outra, distinta, é encará-lo como virtude.
No momento em que ministros atolados em lambanças perdem seus cargos, o que faz o “pai do povo”? Sai por aí estimulando, na prática, o debate sobre a sucessão de Dilma, que está no poder há menos de oito meses. Em defesa do que mesmo? De quais princípios? Se isso não é uma forma de chantagem política, é o quê?
O Brasil avança, sim! Avança apesar da corrupção e do permanente assalto ao dinheiro público. Avança pela força dos brasileiros que trabalham, apesar dos vagabundos que vivem do esforço alheio; avança pela capacidade empreendedora dos seus empresários, apesar daqueles que vivem do compadrio e dos favores do estado; avança pela força — e eles existem — dos políticos honestos, apesar da escória que entra na vida pública para se arrumar.
E é isto que precisamos ter muito claro: OS DEFEITOS DA VIDA PÚBLICA BRASILEIRA DEFEITOS SÃO, E NÃO VIRTUDES! Por mais que pareça absurdo a muitos, O BRASIL AVANÇA APESAR DE LULA, NÃO POR CAUSA DELE.
Ele havia prometido “desencarnar”, vocês se lembram. Mais uma vez, não cumpriu uma promessa. É chegada a hora de fazer uma campanha pública: #DesencarnaLula!
Por Reinaldo Azevedo


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Quinta-feira, 18.08.11
CLAUDIA ANTUNES
DO RIO
No capitalismo, o ócio é o usufruto de um tempo conquistado na relação entre trabalhadores e empregadores. Sem trabalho, não existe ócio. Portanto, nos países capitalistas avançados que convivem com altas taxas de desemprego, os jovens "não têm futuro, a não ser que quebrem o sistema".

Esse foi o raciocínio exposto na noite de terça-feira no Rio pelo sociólogo Francisco de Oliveira, professor emérito de USP, convidado a fazer uma abordagem marxista do "elogio à preguiça" no ciclo de conferências organizado pelo filósofo Adauto Novaes --e que ocorre também em São Paulo e Belo Horizonte.

"A reprodução do sistema vai levando a formas cada vez mais sofisticadas de uso do trabalho que desmontam as velhas estruturas", disse Oliveira, 77.

Citou um exemplo europeu: "A Espanha, um sucesso formidável depois que entrou na União Europeia, agora tem 25% da força de trabalho desempregada, a maioria jovens. O tipo de emprego que o capitalismo industrial criou durante 50 anos, dos anos 1930 aos 80, desapareceu. O sistema tem mais capacidade de produzir esses jovens desempregáveis do que antes."

Segundo Oliveira, o Brasil não está imune a essa tendência maximizada pela revolução digital, "que economiza trabalho e multiplica sua potência por dez, 20 vezes". Ele comparou a euforia econômica recente no país a um orgasmo de velho.
"O Brasil está em êxtase porque o salário mínimo cresceu, o emprego formal cresceu. Esse êxtase é quase como um orgasmo de velho. São os indicadores de 1956. Já ingressamos em todos os problemas e contradições do capitalismo desenvolvido, embora nossa taxa de miséria seja altíssima."

Disse que há um descolamento entre a produção e a escola e deu como exemplo as listas de candidatos a concursos públicos, cheias de universitários: "Somos a sociedade da cópia. A não ser que reinvente a roda, você vai copiar a forma do capitalismo mais desenvolvido, e essa desemprega".

Em sua palestra, Oliveira contrastou o elogio à preguiça "um tanto romântico" da tradição clássica com as "contradições" modernas. Lembrou que, na Grécia antiga, o ócio criativo que "produziu as obras fundamentais da cultura ocidental" era sustentado pelo trabalho escravo.

"Todo ócio repousa sempre no fato de que alguém trabalha para você. Outro ponto é que o ócio, lido como a capacidade de usufruir do próprio tempo, só se sustenta se houver uma força de trabalho capaz de produzir as condições materiais para sustentá-lo."
Dessa forma, um desempregado à procura de emprego não usufrui do ócio, mas apenas os trabalhadores organizados que conseguem "instaurar a preguiça" numa relação em que o tempo é "constantemente vigiado".

"O capitalista quer igualar tempo de trabalho e tempo de produção. Os trabalhadores tratam de desigualá-los para sobreviver melhor", explicou o sociólogo.

Para Oliveira, a cultura brasileira ainda está impregnada do olhar antigo sobre o ócio. "Não valorizamos o trabalho, mas o talento, como se Pelé fosse uma força da natureza. Como se pudesse ter havido um Machado de Assis se ele não tivesse trabalhado dia e noite nas redações de jornais."

O sociólogo disse ainda que o próprio Karl Marx tinha preconceitos próprios aos "cavalheiros do século 19" ao tratar dos trabalhadores: "Ele tinha desprezo pelo desempregado, o lumpemproletariado, bagaço de cana já moída. Marx não é teórico do trabalho, mas do capital e da mercadoria".

No entanto, brincou, o autor de "O Capital" era um "preguiçoso arrematado" em outro sentido, o daqueles que não vendem seu trabalho e exercem atividades no interior do sistema que vão contra ele. "Marx nunca teve emprego de carteira assinada."


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São amplamente conhecidos pelos agricultores modernos os principais aspectos relativos às técnicas e procedimentos criados pelo homem no sentido de se obter índices de produtividade agrícola compatíveis com suas expectativas. Da mesma forma, seria injusto dizer que a humanidade não conseguiu modificar os potenciais produtivos de espécies cultivadas, assim como um aumento expressivo das expectativas produtivas para o setor. Mesmo em áreas de agricultura tradicional, é evidente a utilização de modernas técnicas de manejo dos recursos envolvidos no processo produtivo como um todo. No entanto, mesmo diante de tantas inovações é também evidente a necessidade, cada vez maior, da intervenção de métodos mais aprimorados pela ciência, no sentido de conter o avanço paralelo do ataque cada vez mais intenso de agentes patogênicos que interferem nos índices de produtividade das lavouras cultivadas com interesse econômico.

Essas intervenções, invariavelmente, consistem em despesas crescentes e isso tem causado cada vez mais a perda da lucratividade das culturas exploradas pelo setor, ocorrendo de forma mais intensa a cada período, com exceção das localidades ambientalmente isoladas e que ainda conseguem manter expectativas de rendimento agrícola positivo – fato cada vez mais raro nas últimas décadas.

Conceito

O conceito básico do “Sistema Funcional de Cultivo Agrícola” tem como principal objetivo evitar a interferência de agentes externos na busca e manutenção de índices de colheita satisfatórios, ao mesmo tempo em que permite ao agricultor o seu aperfeiçoamento pessoal na observação constante do ambiente que o cerca, dentro de uma visão amplificada dos fatores que interferem em seu patrimônio vegetal. Tais procedirnentos, com absoluta certeza, permitem que os produtores estejam sempre um passo adiante das interferências naturais que possam diminuir seus índices produtivos, bem como lhes fornecem meios concretos de agir no sentido de corrigir, adequada e preventivamente, o processo evolutivo ambiental, de forma a minimizar o aumento de custos de manejo – inevitáveis nos sistemas modernos atualmente aplicados à agricultura.

 

Modernidade versus tradicionalismo

As técnicas modernas de produção agrícola, indiscutivelmeute, propiciam, num primeiro momento, um incremento significativo na produtividade das lavouras. Sobretudo quando uma cultura é introduzida numa nova localidade, constatam-se expressivos índices de rendimento nas culturas exploradas pelo homem, quando comparados aos lucros originais esperados. No entando, a partir de determinado momento, tem inicio um processo silencioso, porém contínuo, de interação ambiental que, também invariavelmente, leva os produtores a utilizar recursos externos voltados para a manutenção dos índices produtivos originais. Salvo em localidades específicas, esse é um fenômeno Já aceito como inevitável, pois o comprometimento dos produtores com a atividade faz com que deterrninadas medidas, ditas corretivas, sejam adotadas, sob pena de serem perdidos todos os investimentos anteriormente destinados à atividade. O conceito do Sistema Funcional de Agricultura tem como principal objetivo permitir aos agricultores a adoção de medidas concretas e eficazes no sentido de evitar os custos adicionais de adaptação ambiental de seus cultivos. Da mesma forma, esse sistema permite a utilização de modificações ambientais constantes e contínuas, de modo a retardar – e mesmo evitar – o estabelecimento de agentes patogênicos nocivos à atividade produtiva.

Ambiente dinâmico versus ambiente estático

O maior erro conceitual da agricultura moderna está relacionado com a desconsideração dos aspectos dinâmicos ambientais. Isto faz com que os produtores, crentes de que as soluções tecnológicas possam resolver todos os problemas que possam vir a existir em suas lavouras, deixem de analisar de forma permanente a evolução das alterações ambientais causadas pelo desenvolvimento de sua atividade. E como os processos ocorrem simultaneamente, existe sempre a possibilidade de que o desenvolvimento de condições ambientais favoráveis aos agentes patogênicos se instalem em sua lavoura, o que irá, certamente, levar a custos adicionais destinados à correção dos problemas que poderão surgir, naturalmente, em sua atividade. Esta é, em suma, a maior causa da perda de rendimento da agricultura moderna.

Agricultura Migratória versus Rotação de Culturas

No Brasil, é antiga a técnica da Rotação de Culturas. No entanto, ela é praticada de forma totalmente ingênua e limitada, uma vez que são, invariavelmente, eleitas duas ou três alternativas para o “descanso” das áreas, como se isso fosse suficiente. Da mesma forma, nessa técnica, parte-se do princípio de que os agentes patogênicos do meio ambiente são tão ingênuos quanto os agricultores. Isto, mais uma vez, gera custos corretivos crescentes, o que leva à diminuição dos índices de rendimento. E – como não poderia deixar de ser dito – tal fato é algo amplamente favorável às empresas que desenvolvem, produzem e comercializam os insumos necessários para as correções específicas para cada caso. A Agricultura Migratória, no entanto, engloba princípios mais amplos e profundos, o que, seguramente, irá evitar os custos adicionais de manejo e manutenção da rentabilidade agrícola como um todo.

Culturas permanentes

No caso de culturas permanentes, a diversificação de técnicas é ainda maior, visto que tem por objetivo a manutenção de lavouras ou pomares pelo maior tempo possível dentro de uma propriedade rural. Da mesma forma, isso se faz com o uso de procedimentos amplos e que considerem diversos fatores preliminares a cada ação efetiva. Salvo em localidades onde as condições ambientais sejam amplamente favoráveis às culturas perenes, essas ações devem ser cada vez mais intensas, de modo a permitir a manutenção dessas culturas na localidade sem custos adicionais significativos.

Dinamismo ambiental

Assuntos ambientais são hoje muito abordados pelos mais diversos segmentos da sociedade. Existe, na atualidade, um entendimento consolidado acerca de grande número de interações entre os diversos componentes do meio ambiente. No entanto, quando se trata de sistemas produtivos em agricultura, o que se nota é que, invariavelmente, o assunto é abordado de forma estática e – com absoluta certeza – essa é a principal fonte dos problemas de produtividade. Isto porque, na medida em que o assunto é visualizado de forma parcial, é notável a falta de foco na análise dos agentes causadores da diminuição progressiva dos índices de produtividade das lavouras – que reduzem, de forma signiticativa, os rendimentos finais da atividade agrícola como um todo – a não ser que sejam adotadas as já citadas medidas corretivas.

O fator solo

Na agricultura moderna, o solo deixou de ser um fator limitante. Devido a técnicas inovadoras desenvolvidas pela ciência dos solos, nos dias atuais o papel desempenhado por esse componente produtivo se limita apenas em ser uma base de sustentação das plantas de cultivo. Em algumas ocasiões – e para determinados tipos de lavoura – os agricultores, simplesmente, dispensam o uso do solo e, ao mesmo tempo, lançam mão de outros elementos, tais como a água, substratos pré-elaborados e outros elementos, naturais e artificiais. Tudo isso é válido, porém existem consequências da adoção desses procedimentos tecnológicos nos processos produtivos. E, invariavelmente, essas consequências se manifestam a partir de um determinado período quando, muitas vezes, é tarde para que sejam adotadas medidas corretivas com o objetivo de recuperação das plantas atingidas e debilitadas.

Matéria orgânica versus elementos químicos

Na correção e adaptação dos soIos para a exploração agrícola, são, atualmente, utilizadas metodologias desenvolvidas para fins específicos. Na maioria dos casos, alguns fatores preponderantes deixam de ser normalmente considerados e, como não poderia deixar de ser, os índices de produtividade das lavouras sempre tendem a diminuir – especialmente em regiões de clima tropical. As condições físico-químicas dos solos destinados aos processos produtivos apresentam comportamento dinâmico no decorrer do tempo, e quando se desconsidera esse fator, as consequências, sabidamente nocivas ao sistema produtivo como um todo, podem facilmente ser previstas.

Mineralização versus eutrofização

Os processos biológicos dos solos estão sempre relacionados com a temperatura ambiente. Nesse sentido, é evidente que a temperatura está intimamente relacionada com as condições climáticas de cada localidade. Seguindo o mesmo raciocínio, é fácil concluir que a imensa maioria dos solos brasileiros se encontra sob condições tropicais. Como consequência da interação entre a temperatura ambiente e o nível de desenvolvimento da microfauna e microflora dos solos, pode-se, da mesma forma, prever o comportamento dos solos em função das localidades onde esses solos estão situados. Ao mesmo tempo, outros fatores relacionados com a origem dos solos atuam no sentido de determinar seu comportamento ao longo do tempo, ou seja, não é difícil de se prever como um determinado solo deverá apresentar-se quando destinado ao uso agrícola. Assim, devido às elevadas temperaturas enfrentadas pelos solos situados em regiões de clima tropical, os processos biológicos aos quais estão submetidos são muitas vezes mais intensos do que aqueles constatados em solos sob clima subtropical ou temperado. Nesse sentido, a degradação dos solos tropicais é algo que sempre se pode esperar, sob a forma de mineralização natural dos componentes orgânicos do sistema. Ao contrário, é também natural a expectativa de enriquecimento orgânico dos solos situados em regiões de clima sub-tropical ou temperado devido às baixas temperaturas ambientais durante as estações frias do ano. Tais fenômenos, associados às chuvas abundantes e frequentes, normalmente esperadas para as estações quentes do ano, fazem com que seja também natural a expectativa de empobrecimento contínuo dos solos localizados em condições tropicais – tanto nos aspectos físicoquímicos, quanto no que diz respeito à presença de microfauna e microflora nesses solos. E, como não poderia deixar de ser, esses fatores interferem de forma negativa e progressiva na produtividade das áreas agrícolas localizadas em regiões tropicais – salvo quando são adotados procedimentos específicos de reposição da parcela de matéria orgânica ativa desses solos.

 

Agricultura orgânica

Existe hoje uma corrente fortemente ligada à Agricultura Orgânica no segmento agrícola. Essa é uma tendência que abrange, praticamente, todas as sociedades mundiais. Porém, quando utilizada de forma errônea, os resultados podem ser negativos, visto que elevados teores de nitratos, nitritos e outros compostos orgânicos são nocivos à saúde humana e ao sistema produtivo como um todo. Normalmente, os compostos ricos em nitratos são associados ao uso de fertilizantes químicos. Mas, em determinadas condições, pode também haver excesso de nitratos em culturas exploradas sob condições de cultivo orgânico – muito embora em dosagens sempre menores do que aquelas observadas na forma de manejo que lança mão de fertilizantes químicos altamente concentrados. Por outro lado, a corrente de pensamento que atua hoje junto ao segmento da agricultura orgânica possui uma forte tendência política, contrária a tudo o que venha a ser estabelecido de forma convencional. O ideal é a busca de um ponto de equilíbrio, onde não se causem danos ambientais – quando se busca obter produtividade na agricultura –lançando-se mão de procedimentos nocivos ao ambiente, às culturas exploradas com interesse econômico e à saúde humana e dos animais. Existe, também, muito interesse financeiro na exploração do mercado de produtos orgânicos como um todo, na medida em que é evidente o paradoxo entre menores investimentos versus maiores preços finais ao consumidor – mesmo diante de inquestionáveis índices de produtividade satisfatórios nessas atividades. Por esses motivos, é prudente que as pessoas ajam com muita cautela antes de aderir a correntes com forte conteúdo ideológico quanto os opostos ora constatados para o setor.

Reciclagem

Outra tendência amplamente observada nos dias de hoje é a reciclagem de resíduos orgânicos. O que, aparentemente, apresenta-se como uma solução, pode também ser visto como uma forma de concentração de agentes contaminantes, uma vez que o lixo urbano é, na sua imensa maioria, proveniente de resíduos de produtos obtidos através de métodos convencionais, ou seja, que utilizam, em larga escala, produtos nocivos e de origem química questionados pelas correntes ideológicas contrárias. Assim sendo, esse é um segmento que necessita de muito cuidado, sobretudo quando o produto final, devidamente reciclado, é destinado ao consumo humano e à restauração ambiental. Existem formas alternativas de utilização desses resíduos processados, de maneira a minimizar os impactos provenientes da reciclagem.

Mercado versus produto

Nos dias atuais, com o estabelecimento de princípios econômicos neoliberais (mesmo que de forma velada, em algumas sociedades menos esclarecidas como a nossa), o “Mercado” assume importância expressiva. Nessas condições, é normal a constante busca, por parte dos agricultores, de uma adequação a esse fator. Isto, invariavelmente, atua como agravante em termos de qualidade final e preço dos produtos, na medida em que os esforços direcionados no sentido da adaptação às exigências do mercado, levam a custos mais elevados, principalmente pelo fato de que o sistema como um todo funciona na contramão da lógica. Na realidade, o caminho deve sempre ser outro, com a busca de condições ótimas para que se obtenha um “produto” de qualidade espontaneamente satisfatória. Isto somente ocorre quando outros princípios norteiam os investimentos no setor agrícola.

Visão crítica e soluções específicas

Conforme já citado anteriormente acerca do nível de conhecimento de nossa sociedade a respeito dos fatores que interferem na produtividade da agricultura, é também evidente a falta de integração desse conhecimento para que se possa obter índices constantes e satisfatórios para o setor. Isto porque, invariavelmente, existe uma lacuna entre o conhecimento e sua difusão para os segmentos específicos como um todo, principalmente após o modelo de desenvolvimento adotado pela sociedade brasileira a partir do início de sua modernização. Dessa forma, e devido ao fato de que a política adotada no Brasil para o segmento agropecuário obedece a interesses difusos, não tem sido interessante unir as duas pontas, pois isso iria contra esses interesses. Ou seja, o conhecimento existe, porém não se encontra disponibilizado em sua plenitude para os diversos segmentos da sociedade – ao menos até o presente momento. O que mais carece ao nosso sistema produtivo é a articulação necessária e fundamental para que os índices produtivos sejam devidamente atingidos e mantidos no decorrer do tempo nas atividades agrícolas propriamente ditas.

Tecnologias sugeridas

Em termos de medidas técnicas, pode ser relacionada uma ampla gama de soluções – todas elas previamente analisadas diante de cada situação. De forma geral, essas medidas podem ser aplicadas na maioria dos empreendimentos agrícolas brasileiros, com grandes chances de sucesso duradouro para o produtor rural.
Neves Terriani Laera
Engenheiro Agrônomo
Créditos ➞ o presente post é composto pelo artigo «Sistemas Funcionais na Agricultura do Futuro», da autoria de Neves Terriani Laera, engenheiro agrônomoapresentado na Revista do CREA-RJ, nº 87, abril/maio de 2011, publicação oficial do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio de Janeiro, enviada a seus afiliados.
Para maiores informações ➞ Portal CREA, em: www.crea-rj.org.br
e-mail: portal@crea-rj.org.br
Imagens ➞ Revista do CREA, nº 87;  http://www.brasilautogestionario.org


publicado por oeiras_brasil às 05:34 | link do post | comentar

Segunda-feira, 15.08.11

... Entre tantos berros de usura, o boi pasta
famintos famigerados víveres.
abnegado fruto da existência, alheio a tudo
Serás condecorado mas destituído da: lei da natureza.
Fora acorrentado por ela
que ainda assim o mantém forte, homem,
fruto, de abnegação
esculpido e industrializado
Terás que avançar e ganhar terra
pensando em tudo o que nela vive
E quando isso acontecer
essas terras da floresta virgem
responderá ‘a humanidade
se capaz de prosseguir em sua totalidade
pelas águas dos rios que embalam canções
Eles se olham noite adentro
procuram por uma saída
a vila, o pirarucu, o lago do silêncio, as onças
reunidos lutam, ouvem, mastigam e dormem, todos
( noturno não se engana )
enfrentam destemidos por uma crença insolúvel.

Denise Velasco. Trecho de texto inspirado na vida de Chico Mendes.


publicado por oeiras_brasil às 15:35 | link do post | comentar

Segunda-feira, 08.08.11

(Recebido de Adriano Nunes)

Noites Loucas — Noites Loucas!
Estivesse eu contigo
Noites Loucas seriam
Nosso luxuoso abrigo!

Para Coração em porto —
Ventos — são coisas fúteis —
Bússolas — dispensáveis —
Portulanos — inúteis!

Navegando em pleno Éden —
Ah, o Mar!
Quem dera — esta Noite — em Ti
Ancorar!

(Tradução: Paulo Henriques Britto)

249

Wild Nights — Wild Nights!
Were I with thee
Wild Nights should be
Our luxury!

Futile — the Winds —
To a Heart in port —
Done with the Compass —
Done with the Chart!

Rowing in Eden —
Ah, the Sea!
Might I but moor — Tonight —
In Thee!


publicado por oeiras_brasil às 10:47 | link do post | comentar

Domingo, 07.08.11
 
Nos anos oitenta, pensar na preservação do meio ambiente e abraçar as questões ecológicas parecia ingenuidade, elitismo e utopia, pois o processo de abertura democrática trazia à tona as grandes lutas da classe operária que urgiam por soluções de organização e visavam o fortalecimento dos sindicatos,  que dariam o surgimento de um pensamento político genuinamente brasileiro, muito embora com o paradigma calcado nos países do bloco socialista. Os anos noventa demonstraram que nenhum partido político poderia deixar de inserir nos seus programas, além das metas comuns, a luta contra a desigualdade social, com melhor distribuição de renda, melhor administração do dinheiro público, destinação de recursos precípuos nas áreas da saúde e educação, projetos de habitação popular, reforma agrária,  acrescentou-se como ponto nos programas partidários, todos, sem exceção, as questões relativas ao meio ambiente, difundindo-se a questão ecológica, como paradigma para a modernidade.

Já não é mais novo o pensamento de preservação da natureza, do meio ambiente. Michel Serres, filósofo francês contemporâneo, escreveu há mais de duas décadas, na obra intitulada “Contrato Natural”: “Se existisse um direito e uma história para as guerras subjetivas, não existe nenhum para a violência objetiva,  sem limite nem regra, portanto sem história. O aumento dos nossos meios racionais nos leva, numa velocidade difícil de calcular, em direção à destruição do mundo que, por um efeito de retorno bastante recente, pode condenar-nos todos juntos, e não mais por localidade, à extinção automática.

Repentinamente voltamos aos tempos mais antigos,  que apenas os filósofos teóricos do direito guardaram na memória – em suas concepções e através delas – o momento em que nossas culturas, salvas por um contrato, inventaram nossa história, definida pelo esquecimento do estado que a precedeu.

Nas condições muito diferentes deste estado anterior, mas às paralelas, é preciso que, novamente, sob ameaça coletiva, inventemos um direito para a violência objetiva, exatamente como ancestrais impossíveis de imaginar inventaram o direito mais antigo que, através de contrato, levou sua violência subjetiva a tornar-se o que chamamos de guerras. Um novo pacto, um novo acordo prévio, que devemos fazer com o inimigo objetivo do mundo humano: o mundo tal como está: Guerra de todos contra tudo.

A evidência nos mostra que se deve recomeçar o fundamento de uma história, cujo fim está a vista. Trata-se da morte de Marte? Que faremos com os nossos exércitos? Executa-se, muitas vezes, nos governos a volta desta espantosa pergunta.
É mais do que isto: trata-se da necessidade de rever e, até mesmo e para pior, segundo a primeira diagonal, sem mundo; agora que sabemos nos associar diante do perigo, é preciso prever, ao longo da outra diagonal, um novo pacto a assinar com o mundo: o contrato natural”.

Cruzam-se assim os dois contratos fundamentais “(obra citada – p.25).
Michel Serres ainda propõe na mesmo linha de pensamento o resgate da beleza e da paz como conceitos fundamentais. Ainda em sua fala flui: “a beleza requer a paz; a paz pressupõe um novo contrato”. “Devemos decidir a paz entre nós para salvaguardar o mundo e a paz com o mundo para nos salvaguardar”. 

Parece excesso, ilusão, purismo, contudo a grande novidade que se nos apresenta no pensamento político de vanguarda, se é que assim se pode chamar, é, de fato, o “Contrato Natural”, fulcrado nas questões que envolvem a natureza humana como objeto integrado –  no meio em que vivemos e o meio ambiente um terceiro sujeito em todas as relações humanas contratuais.
Como reflexão para ação imediata, é necessário gravar um marco histórico: na data de 06 de abril de 2000, a descoberta dos códigos genéticos do genoma (DNA – três milhões de genes, equivalentes a letras a se decifrar e a se organizar em curto espaço de tempo) pelo americano do “Célebre Genoma” entidade privada, muda completamente o curso da vida na terra. Doenças podem ser detectadas e prevenidas através dos genes, além da possibilidade real e concreta da clonagem humana em série. Tal conhecimento é uma rama que pode ser utilizada para o bem e para o mal. A bioética se impõe como ponto da mais alta importância dos mecanismos e organismos políticos mundiais.
Parece que o pensamento de vanguarda que hoje se impõe é a volta à natureza.
Não se trata de “ditadura verde” como alguns ambientalistas radicais defendem.
A natureza já responde aos ataques que sofre – os recados estão dados: aquecimento global, tsunamis, enchentes, secas…

Não se pretende nenhum retrocesso aos conhecimentos adquiridos ao longo dos tempos, mas a retomada dos valores básicos e simples da vida em sociedade. O respeito, a ética, as noções primárias de certo e errado no trato dos bens públicos e privados – materiais e espirituais, o resgate da paz e da beleza como bem já ensinou o mestre francês cuja lição aqui emprestamos.

Vera  Motta – Advogada
Dirigente Nacional
Partido Verde


publicado por oeiras_brasil às 07:29 | link do post | comentar

Quinta-feira, 04.08.11
O francês Jean Pierre Leroy chegou ao Brasil na década de 1970. Padre, ele atuou na região do Pará. É filósofo e mestre em Educação pelo Instituto de Estudos Avançados em Educação/FGV. Foi Coordenador do Programa de Pesquisa sobre Campesinato em Áreas de Fronteira, Assessor da Comissão Pastoral da Terra e do Programa Nacional Fase Amazônia. Atualmente, é Membro da Rede Brasileira de Justiça Ambiental e assessor do Movimento pelo Desenvolvimento da Transamazônica e do Xingu. Escreveu, recentemente, o artigo O lugar da crise do desenvolvimento capitalista na crise de civilização baseado nas ideias que propagou durante o Fórum Social Mundial deste ano.



A IHU On-Line conversou com Leroy, por telefone, sobre o que ele chama crise da civilização. “Frente à crise política que conhecemos aqui no Brasil, vemos como é complexa e como está nos fazendo falta, de fato, uma esquerda. Um campo político que tenta segurar as pontas e, ao mesmo tempo, tenha um projeto ético de igualdade, que parte das bases da sociedade, e com projeto que resgate essa convivência com a natureza e a possibilidade da humanidade de amanhã continuar conectada com ela e poder continuar vivendo nela e dela”, apontou.
Confira a entrevista.

IHU On-Line – O senhor afirma que vivemos uma crise de civilização. Como se manifesta essa crise?

Jean Pierre Leroy – O primeiro ponto é que não vislumbramos um projeto portador de utopia. Claro que existem muitos movimentos na base da sociedade que ainda mantêm, mas sempre mínimos. Em todo o lugar que olhamos a tendência majoritária de movimentos sociais se torna cotada, vê o imediato e não mantém a busca de uma utopia. Não falo só do Brasil, falo em termos gerais. Isto existe na base da sociedade, mas ainda podemos dizer que nenhum projeto, desses movimentos de base que mantêm um sentido utópico, consegue impor e fazer com que a sociedade reconheça os seus projetos. Hoje o que há é um vazio frente à possibilidade de renovar e repensar o mundo. O segundo ponto, da crise da civilização, é como os grandes problemas estão afetando o mundo.

Sabemos que a crise, as guerras e as incompreensões em torno do fundamentalismo colocam em perigo o conjunto da humanidade, porque cada um se volta para si mesmo e as diferenças acentuam as incompreensões entre povos e nações. Ninguém sabe onde isto vai nos levar. A crise climática se torna mais profunda a cada dia. Isso ameaça a humanidade de modo desigual, mas é uma ameaça geral. Frente a isso se vê uma paralisia quase total. É neste sentido que falo de crise da civilização. O modelo dominante de produções do consumo no mundo é o industrial, nascido com a Revolução Industrial. A medida de felicidade para a humanidade é ter bens. E isto numa espiral crescente de consumo, inovação, tecnologia, e de novos produtos, aderida pelo conjunto dos países.
Não quer dizer que na base da sociedade todo mundo está envolvido neste modelo, mas pelo desejo quase todo mundo está envolvido, mesmo que não tenha condição de consumir. Talvez isso seja mais profundo que esta falta de utopia alimentada por esse modelo, que nos devora por dentro. Isto é um elemento que faz com que não se pense em utopia, porque pensa em como vamos sobreviver, em como vamos viver amanhã.

IHU On-Line – A partir de que momento histórico o senhor acredita que a humanidade entrou no estágio da crise de civilização?

Jean Pierre Leroy – Acho que, olhando o passado fica mais fácil dizer, cada civilização porta dentro de si as sementes de seu sucesso e, ao mesmo tempo, as sementes do seu fracasso futuro, de um momento em que ela chegará ao fim. A civilização ocidental, por exemplo, foi muito marcada pelo cartesianismo. Descartes, filósofo francês, separou a raça humana da natureza de modo muito forte, dizendo que a humanidade está acima da natureza e está necessitando dominá-la. Dizendo isso ele permitiu, do ponto de vista da filosofia, que a humanidade pudesse desenvolver a inteligência e as tecnologias, mas ao mesmo tempo, levou o homem a se afastar tanto da natureza, artificializando o mundo, que hoje estamos começando a pagar caro por isso. Em uma sociedade como o renascimento, com gente como Descartes, que ajudou a humanidade a avançar em uma linha onde obteve sucesso, ao mesmo já estava a ruína da sociedade de hoje.

IHU On-Line – Não se trata de uma incongruência falar em crise de civilização, considerando que essa mesma civilização – manifestação da possibilidade da convivência humana – é responsável pela crise?

Jean Pierre Leroy – Sim, mas quando se diz crise da civilização não se está lamentando forçosamente que esta civilização esteja em crise, se constata que está em crise e, é claro, que é produzida por ela mesma. No início das civilizações está sua destruição futura. Ela mesma se destrói. Este modelo de produção e de consumo é inerente a esta civilização ocidental, que se estende hoje a todo o mundo. É claro que este modelo é destrutivo porque não consegue universalizar os bens, marginaliza e sempre marginalizará parte da humanidade, e porque não há recursos naturais capazes de dar conta e de fornecer os recursos necessários para a reprodução desse modelo. 

IHU On-Line – O liberalismo e a esquerda clássica são tributárias da mesma racionalidade: a crença no progresso infinito. Ambas têm a mesma responsabilidade pela crise de civilização?

Jean Pierre Leroy – Não devíamos esquecer que a União Soviética, com o capitalismo de estado, também reproduzia esse modelo do ponto de vista econômico e de uso dos recursos naturais. Tanto que hoje, na ex Alemanha Oriental e na Europa do leste, há muitos lugares onde já se deixou uma catástrofe de destruição ambiental, de contaminação de solos, de áreas industriais extremamente contaminadas, e não falo só de Chernobyl, elas mesmas estavam implicadas neste modelo. Aliás a gente vê, no caso do Brasil, que boa parte do PT e da esquerda está achando que há o progresso e o desenvolvimento, e quer continuar com esse modelo. Isto, sem dúvida, permeou as esquerdas também.

IHU On-Line – O capitalismo nos últimos dois séculos assistiu a duas grandes revoluções: a Revolução Industrial e a Tecnológica. Sob a perspectiva cultural, qual das duas impactou mais a sociedade humana?


Jean Pierre Leroy – Ambas. A Revolução Tecnológica é diretamente ligada à Revolução Industrial. A Industrial levou à produção e ao consumo de massa e isso impactou no sentido de que permitiu a organização maciça, e que a população possa aumentar de modo exponencial. A morte jovem não se tornou a única alternativa para a maioria da humanidade. Esta revolução ajudou enormemente a humanidade a poder aumentar, o que levou a uma corrida tecnológica permanente, com o aperfeiçoamento de produtos. Isto renova a capacidade de alimentar mais população, de permitir que as pessoas vivam mais e dar qualidade de vida, ainda a uma minoria. Como isso foi capturado pelas empresas e pelo mercado, leva a uma corrida onde se explora a mão-de-obra e muita vezes a marginaliza e a torna inútil.

Com esse esquema sempre temos mais povos e classes sociais que ficam sobrando. E por outro lado, leva a uma superexploração dos recursos naturais. Não tem jeito. Tem gerações de celulares que fazem cada vez mais coisas, mas para cada uma delas deve ter muita água, recursos naturais, energia e minerais. A base da produção da sociedade não muda com essas novas tecnologias. Por que cada nova tecnologia leva a mais produto. Esta combinação da industrialização do artefato, sempre a um grau mais sofisticado de tecnologia, está nos levando à catástrofe. Esta também é a lei do mercado. As empresas buscam seu lucro. E como, hoje, as empresas estão sempre mais anônimas com investidores do capital e muito distantes da produção, então, só interessa mesmo o lucro. Tecnologia e lucro combinados nos levam a esse buraco.  Progressivamente a impressão que se tem é que quem está “dando as cartas” e está dizendo qual deve ser nosso futuro são as grandes multinacionais e os grandes lotes empresariais. Todos os governos estão presentes em todas as grandes negociações internacionais. Hoje, para não se buscar mais longe, aqui no Brasil vemos claramente o poder dos grandes grupos empresariais.

Eles que dizem para onde deve ir o consumo e a produção de energia, o que devemos produzir no campo e como devemos produzir. Não imaginemos que sejam só produtores rurais na bancada ruralista no Congresso, é todo um grupo do agronegócio e grandes multinacionais que estão por trás disso também. Isto é uma incoerência e uma catástrofe.

IHU On-Line – Quais seriam as bases de um projeto de esquerda radicalmente transformador frente à crise de civilização?

Jean Pierre Leroy – Frente à crise política que conhecemos aqui no Brasil, vemos como é complexa e como está nos fazendo falta, de fato, uma esquerda. Um campo político que tenta segurar as pontas e, ao mesmo tempo, tenha um projeto ético de igualdade, que parte das bases da sociedade, e com projeto que resgate essa convivência com a natureza e a possibilidade da humanidade de amanhã continuar conectada com ela e poder continuar vivendo nela e dela. O que há provavelmente, e talvez mais do que investir em espaços formais de poder no plano local, nacional, regional e mundial, é costurar, aos poucos, espaços em que setores da base da sociedade tentem viver de outra maneira e tentem conectar estas questões econômica, ecológica, da igualdade e da justiça, conjuntamente num projeto de vida.

Hoje existem tantas coisas fantásticas que se fazem, mas a necessidade que haveria é de costurar aos poucos isso, mostrando que, no fundo, todas as iniciativas de setores da sociedade e movimentos sociais de pequenos grupos, poderiam ser interpretadas como a busca de um outro modo de viver e de se relacionar com os outros e com o mundo.

IHU On-Line – É possível identificar movimentos sociais que interpretam corretamente a natureza da essência da crise civilizacional e trazem consigo o gérmen de outra sociedade? Quem são esses movimentos?

Jean Pierre Leroy – Hoje eu diria que nenhum movimento por si lançou algo que traga isso. Acho que isto é um problema, inclusive. A Via Campesina coloca questões fundamentais. Primeiro por que resgata a percepção de que, lá na base da sociedade, existem setores ainda excluídos e marginalizados, que devem ser considerados, e que tem direito à igualdade e dignidade. Também resgata a percepção que existem classes sociais, e que ainda existem setores sociais que querem eliminar outros. E, ao mesmo tempo, dentro deste movimento há muita gente que também tem a clareza de que deve reatar esse laço com a natureza e que tem um papel pela agricultura camponesa, pela produção de água e cuidar da biodiversidade.

Esses movimentos, com todas as suas ramificações são muito interessantes, mas também enfrentam a questão do machismo com os movimentos de mulheres. Do outro lado eu, pessoalmente, não acho que sozinhos podemos dizer “aqui está o nosso futuro” ou “este movimento é o exemplo acabado”. Não vejo nenhum movimento sozinho capaz de dizer “eu o represento”. É buscar dentro de novas formas, não digo de organização mas de conexão a novas redes, que juntas dizem “estamos cada um com nossas diferenças, mas avançando na mesma direção”. Hoje tem muita gente na universidade, indivíduos que individualmente não são nada, mas coletivamente, cada um no seu lugar, trabalham para um novo movimento, para novas ideias. As escolas que tentam dar outra direção ao ensino, isto em uma ou duas escolas, não é movimento pois é pequeno e isolado, mas temos que ver e tentar pensar que é de um conjunto ainda muito pulverizado, mas que pode surgir alguma coisa. Internacionalmente é a mesma coisa. Hoje, talvez a Via Campesina seja o exemplo maior de movimento que ainda consegue congregar. Hoje tem movimentos indígenas, como o movimento que está partindo dos Andes e da Bolívia pelo bem viver. Politicamente não tem um peso no Brasil, o peso dele é quase nulo, mas ao mesmo tempo eles colocam questões superimportantes que vão na mesma linha da Via Campesina ou de um pequeno movimento urbano que perceba que não dá para ir como a gente está indo. Acho que mais do que apontar um só movimento, vamos buscar se conectar com outros que já avançam, mas que estes movimentos tenham também a percepção que “uma andorinha só não faz a primavera”. 

UNISINOS


publicado por oeiras_brasil às 02:18 | link do post | comentar

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